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Sexta-feira, Setembro 30, 2022
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“Fake news” são mentiras perigosas

As “fake news” nem sempre são fáceis de identificar

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Durante as eleições presidenciais norte-americanas de 2016 apareceu uma vaga de histórias virais no Facebook. A maioria era dirigida aos apoiantes de Donald Trump, que foi eleito com a ajuda de muitas informações falsas que os seus apoiantes acreditaram ser verdade. E foi a partir daí que se começou a falar em “fake news”. Outras ondas de notícias falsas influenciaram atos eleitorais, como o referendo para a saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit) ou a eleição presidencial no Brasil. Jair Bolsonaro foi eleito presidente e, durante a campanha, houve ondas de “fake news” no WhatsApp, acusando os seus adversários de muitas coisas inacreditáveis… mas em que as pessoas acreditaram.

Em Portugal também já circulam muitas “fake news”, em especial na política e na saúde, com objetivos de prejudicar determinados políticos e partidos, ou de levar os cidadãos a terem comportamentos inadequados e perigosos, por exemplo, em relação a doenças ou vacinas.

As fake news não são nada de novo. “O Mistério da Estrada de Sintra” é um excelente exemplo histórico de “fake news” em Portugal, mesmo se neste caso não se queria prejudicar ninguém. Foi publicado no “Diário de Notícias” sob a forma de cartas anónimas, entre 24 de julho e 27 de setembro de 1870, relatando uma história de crime e mistério como se fosse verdade, e os leitores acreditaram.

O problema das “fake news” é que elas têm como objetivo prejudicar alguém, sejam pessoas, instituições ou mesmo países. Desinformação é o ato de usar mentiras ou manipular factos verdadeiros com objetivos pessoais ou políticos, levando os cidadãos a acreditar que algo é verdade quando não é. Portanto, factos alternativos na verdade não são factos, mas sim mentiras disfarçadas de verdades. E o problema é que, quando se repete muito uma mentira e não se conhecem os factos, passa a aceitar-se que a mentira é a verdade. E ninguém quer acreditar em mentiras!

As “fake news” nem sempre são fáceis de identificar. Muitas vezes parecem tão verdadeiras que é fácil acreditar. Mas, na sua maioria, também se consegue perceber se uma informação é verdadeira de forma simples e rápida. Como?

  • Verificar a fonte: se vem de uma fonte credível, como um meio de comunicação social ou uma instituição conhecida, deve ser verdadeira.
  • Verificar o autor: se é de um autor conhecido, também deve ser verdadeira (os “memes” não contam, pois qualquer pessoa pode escrever o que quiser e dizer que foi outra pessoa a escrevê-lo).
  • Verificar a data: se não é de hoje, pode até ter sido verdade, mas já não ser.
  • Perguntar se é preconceito: lá porque diz algo em que acreditamos não quer dizer que seja verdade.
  • Ler/ouvir/ver a informação toda: os títulos podem indicar uma coisa e a história ser outra. Nunca partilhes conteúdos que não viste.
  • Ver se refere outras fontes: se tem links, vai vê-los.
  • Perguntar se é humor: às vezes o humor parece verdade, mas é apenas humor.
  • Consultar especialistas: em caso de dúvida, perguntar a quem saiba mais ou tenha mais experiência. Não há problema nenhum em perguntar. Problema é acreditar na mentira e ficar na ignorância por vergonha.

A existência de “fake news” não é nova, mas as redes sociais funcionam como um megafone omnipresente. Seja onde e quando for, há sempre alvos definidos: em especial os media e “os outros”. E para isso contribui o facto de muitas pessoas verem as redes sociais:

  • Como um remédio fácil para as suas frustrações
  • Como justificações para os seus problemas
  • Como reforço dos seus preconceitos
  • Como espaço para acreditar no que é óbvio e não obriga a pensar
  • Para encontrar “soluções” simples para problemas complexos (que têm soluções complexas)
  • Para opinar sobre tudo, como juízes virtuais sem conhecimento de causa.

FICHA TÉCNICA

  • TÍTULO: “notícias” falsas, “factos” alternativos e desinformação na era da pós-verdade – “Fake news” são mentiras perigosas
  • ÁREA PEDAGÓGICA: Ensino para os Media
  • TIPOLOGIA: Explicador
  • AUTORIA: Miguel Crespo – Associação Literacia para os Media e Jornalismo (ALPMJ)
  • PRODUÇÃO: RTP
  • ANO: 2021
  • IMAGEM: Foto de Produtora Midtrack no Pexels
SourceRTP
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