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Quinta-feira, Maio 6, 2021
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Entrevista a Vitorino Silva: candidato presidencial 2021

Jornal Saloio entrevista o candidato presidencial Vitorino Silva

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No primeiro dia da sua vida de presidente qual será a primeira medida que vai tomar em Portugal?

A primeira coisa que vou fazer vai ser respirar e respirar fundo, depois de ter a certeza que não vai haver Portugal de cima e Portugal de baixo, que vai haver Portugal como um todo, é essa a minha primeira medida que é nivelar o país, porque o país está inclinado para o litoral, não jogamos no campo todo, Portugal só tem sentido se jogarmos no campo todo e como um todo.

Ainda nesse primeiro dia de presidente, em relação à actual pandemia, que influência irá exercer junto do Governo Português para ajudar a controlar a pandemia e ajudar as empresas e a economia portuguesa?

Preocupava-me em arranjar um vacina, isto é um problema do mundo e não só de Portugal, não podemos resolver isto com uma varinha mágica para desaparecer em Portugal quando vivemos num mundo em COVID. É a primeira vez que o mundo está unido numa guerra cobarde, o COVID é a cobardia. Quando eu digo que se inventou a vacina contra o COVID, a ciência são aqueles que fazem milagres, eu não acredito que os políticos façam milagres, às vezes pensam que fazem. Eu acho que o mundo preocupou-se muito com o COVID, e muito bem, mas descorou a economia e eu acho que têm de estar lado a lado, têm de ser resolvidos em simultâneo. É um Homem que está em perigo, às vezes o Homem comporta-se como se fosse o “dono disto tudo”, às vezes o Homem não perceber que há espécies ao nosso lado, o Homem tem que compreende que… uma coisa que admiro muito é o oxigénio, eu quando disse que em Janeiro fazia frio de rachar, também é o tempo em que as folhas caiem das árvores, há menos oxigénio, e quem tiver problemas nas vias respiratórias e nos pulmões claro que são os primeiros a serem afectados, mas não podemos deixar ninguém para trás.

Procuramos fazer um jornalismo diferente, por isso algumas das nossas questões poderão ser diferentes daquelas que está habituado, damos muita importância à nossa gente saloia, da terra, do trabalho, o Vitorino Silva sabe muito bem o que é a vida dura.

Eu sei muito bem, mesmo o termo “Saloio”, há muita gente que pega nos termos como a rebaixar, a nós cá em cima também nos chamam os parolos e não sei quê, não há parolos nem há saloios, hoje em dia os portugueses são todos iguais, e se alguém pensa que sabe tudo, e esse tempo de olhar para o mundo e ser inferior, não.

Exatamente. O nosso projecto jornalístico existe para dar valor à tradição desta região, que é muito antiga, é anterior à chegada dos portugueses, e como o Vitorino Silva diz há muita ignorância no uso dos termos.

Muitas vezes as pessoas falavam nos saloios que levavam as hortaliças verdinhas para a cidade, esqueciam-se que vocês é que estavam a pôr ali os bons alimentos na mesa, porque há muita gente que olha para quem cava a terra como desprestigiante, e a terra é que nos alimenta, e as pessoas não percebem isso. Os saloios têm a vantagem de estar mais perto da terra, e sabem que a natureza está mais preparada, a minha mãe dizia quando uma jornalista perguntou quando houve a crise da “Troika” numa reportagem “O que é que acha desta crise?” e a minha mãe respondeu “Oh menina eu nunca senti a crise, porque eu sei cavar. Tenho pena dos meus netinhos que não sabem cavar, quem cava a terra nunca sente a crise.”

O que distingue realmente o candidato Vitorino Silva é um estilo diferente, um uso da palavra diferente e um estar diferente que é um estar que veio da terra, que veio do simples, talvez seja isso que, como diz, atrai o “Voto sardinha e o voto caviar”.

Eu nunca comi caviar e não tenho problema nenhum em dizer que vou ter voto caviar, claro que vou ter mais o voto sardinha, porque há mais gente a comer sardinha, aquele voto a mais pode estar no voto sardinha no voto caviar.

Ao contrário de outros candidatos, por que é que o Vitorino Silva não traz tanto o seu partido R.I.R. para esta campanha presidencial e traz mais a personalidade do Vitorino?

Toda a gente saber que o R.I.R. é um partido recente e que foi abafado nas últimas eleições legislativas, eu não fui eleito deputado da Assembleia da República por 5 décimas, muitas pessoas não sabem, muita gente só soube que havia o partido R.I.R. quando soltaram os gráficos nas eleições legislativas. Já fizemos dois congressos, a primeira coisa que anunciei foi dar liberdade de votos aos militantes do R.I.R. pois é uma eleição individual, é claro que tenho muito orgulho em ser fundador do R.I.R. mas também tenho muito respeito pelas pessoas que não são do R.I.R., que não conhecem o R.I.R., como esta candidatura é individual deve separar as duas coisas, clarao que sou o presidente do R.I.R. com muito orgulho, mas tenho de falar para os portugueses todos e não posso falar só para militantes do R.I.R., o objectivo são os portugueses de Portugal e do Mundo, há muita gente que não é de nenhum partido, não pertence a nenhum partido mas gosta destas eleições, querem escolher o seu Presidente da República. O R.I.R. está a ter muita visibilidade, posso-lhe dizer que já muita gente aderiu ao R.I.R., mas ainda somos um partido com poucos militantes porque é um partido recente e tem crescido e crescido e tenho a certeza que nas próximas eleições o R.I.R. vai ser levado a sério e que não foi. Por isso acho que nestas eleições os partidos não devem meter guedelho porque é uma avaliação de 7 portugueses, é uma avaliação individual e é essa a razão de não me colar ao R.I.R. pois acho que é um abuso da minha parte.

Quem R.I.R. por último R.I.R. melhor. A sua posição é ir caminhando e no fim surpreender as sondagens no dia da eleição?

Tenho a certeza absoluta que as sondagens estão inquinadas, toda a gente sabe. Nunca ninguém fez esta pergunta: quem é que paga as sondagens? Se dissessem quem paga, se o partido A, o partido B, o candidato A ou o candidato B, claro que o cliente vai sempre favorecido, e vão fazer a sondagem a régua e esquadro para beneficiar o cliente e prejudicar os adversários. Há cinco anos atrás nunca me puseram nas sondagens, a única sondagem que nos puseram foi na quinta-feira antes das eleições, um dia antes de acabar a campanha, e davam 0,1% e depois tivemos quase 3,3% na eleição, 33 vezes mais. Ou seja, as pessoas têm de ser sérias, o povo não é burro, quem vota não é burro, tenho sentido isso nas redes e na força da internet, eu só fui aos debates porque a internet estava acordada. Nas últimas legislativas, se nos tivessem dado antena, não era só a Iniciativa Liberal e o Chega que lá estavam, o R.I.R. também, e não tenho dúvidas que nas próximas eleições o R.I.R. vai ter um deputado, seja o Vitorino ou outro qualquer. Tenho a certeza que o R.I.R. foi criado para ir a votos.

A sua escola política foi o Partido Socialista. Hoje em dia o Vitorino Silva apresenta-se como um candidato, como diz, “Da esquerda às direitas.”. É difícil, quando se sai de um partido deixar de estar associado a esse partido. O que é que o distingue enquanto candidato presidencial das candidaturas de Ana Gomes, Marisa Matias e João Ferreira?

Toda a gente saber que sai do Partido Socialista a dar a volta ao estádio, não fui corrido, não fui escorraçado, sai da mesma forma que entrei. Eu sai na altura que saiu o Guterres, que hoje é secretário geral das Nações Unidades, também saiu humilde e chegou a secretário geral da ONU. Eu também fiz o meu caminho.

Mas o que é o distingue: é mais de esquerda, de direita ou centro? ou se não interpreta essa geometria política?

Alguém duvida que eu sou social? Alguém duvida que eu sou democrata? Alguém duvida que eu sou socialista? Eu sou socialista, as pessoas sabem. O grande problema destes quarenta e tal anos é que se governou ao pé-coxinho, a direita andou manca e a esquerda andou manca. Se as ideias da direita são boas porque não aproveitá-las? Quando a esquerda está no governo por que é que não aproveita as ideias da direita? O que me distingue é que eu tenho duas mãos: uma direita e uma esquerda. Quando as pessoas são eleitas não é para defender os interesses do partido, o António Costa é primeiro-ministro, não é para estar ao serviço do partido, é para estar ao serviço de Portugal, e Portugal não tem direita ou esquerda. O povo é de direita ou esquerda? Alguém pergunta ao povo se é de direita ou de esquerda? O povo às vezes vota à direita às vezes vota à esquerda.

Há um autor sintrense que num seu livro utópico defende a criação do Partido dos Saloios. O Vitorino Silva não acha que há uma necessidade neste século XXI de renovar a classe política em Portugal?

Romantizar a classe política. Tenho a certeza que desta vez a minha candidatura foi muito bem aceite devida à forma como usei as palavras. Claro que os partidos que têm assento parlamentar querem ter o monopólio, não querem que ninguém entre, eles não querem que ninguém entre, é por isso que é muito difícil criar um partido, ninguém pense que é fácil criar um partido. Mas eu defendo que quanto mais melhor, quanto mais escolha houver, melhor.

Em relação à sua experiência política. O Vitorino Silva foi Presidente de Junta de Freguesia e irá ser, caso seja eleito, o próximo Presidente da República Portuguesa. Qual é para si a grande diferença entre gerir politicamente uma freguesia e gerir um país?

É muito mais fácil gerir um país porque numa freguesia nós estamos muito mais próximo das pessoas, como presidente de junta de freguesia as pessoas conhecem-nos, as pessoas estão em cima, o presidente da república está muito mais salvaguardado. Enquanto um presidente de junta não tem assessores nem empregados, há juntas que não têm, o presidente da república tem 700 assessores e pode escolher os melhores de todas as áreas, quem é que não quer trabalhar para o presidente da república? O presidente da república não tem de saber de tudo, tem é que perceba em todas as áreas. Eu tenho a certeza que se eu for presidente da república não vou estar hipotecado a ninguém porque eu não convidei ninguém, e às vezes as pessoas para apoiar querem algo em troca, e este algo em troca é o presidente da república deixar de ser livre porque tem favores a pagar, isto acontece muito quando o presidente de república é apoiado por grandes partidos políticos. Mas há uma coisa que eu quero dizer: o presidente da república se fosse presidente de junta tenho a certeza que fazia um mandato melhor, tenho a certeza que se o Marcelo tivesse sido presidente de junta, o Cavaco se tivesse sido presidente de junta, o Eanes se tivesse sido presidente de junta, o Soares se tivesse sido presidente de junta, o Sampaio se tivesse sido presidente de junta, eram melhores presidentes da república. O presidente de junta é o cargo mais importante da política, é a base, isto não quer dizer que uma pessoa que seja presidente de junta não seja presidente da república. Sabe quantos presidentes de junta estão na Assembleia da República? Há mais de 20 deputados que são presidentes de junta de freguesia e deputados da Assembleia da República. Há deputados que são presidentes de junta que está a 300 e 400 quilómetros da Assembleia de República. Como é que eles podem ser presidentes de junta e deputados ao mesmo tempo? Como é que podem estar em dois lados ao mesmo tempo?

Os jornalistas também não podem entrevistar vários candidatos ao mesmo tempo.

Se um presidente de junta pode ser deputado, por que é que um presidente de junta não pode ser presidente da república? Não se pode ser presidente da república e presidente da junta ao mesmo tempo, mas pode-se ser presidente da junta e deputado ao mesmo tempo. É um contra-senso e algumas juntas a 400 quilómetros.

Qual é que vai ser o primeiro líder político que sendo Presidente da República quer receber em Belém? E a qual país que vai querer fazer a sua primeira Visita de Oficial?

A primeira visita oficial que quero fazer é a Timor, porque eu não me esqueço que quando vi o massacre de Santa Cruz, do outro lado do mundo, bem longe, as sirenes ali a tocar, o povo a fugir, aquelas pessoas a sangrar baleadas, e agarraram-se ao português, essa é a grande imagem, rezarem o Avé Maria em português. Eu quero ir a Santa Cruz, quero ir a Timor. A minha primeira causa política foi quando queriam fazer uma central nuclear ali em Aldeia d’Ávila, perto de Miranda do Douro, foi à primeira manifestação que eu fui, a segunda causa foi Timor, e é aí que eu quero ir. No aspecto de receber em Belém, ainda não sei quem vou convidar para receber em Belém, mas pode ter a certeza que será um líder político que fale português, de um dos países onde se fala o português.

Para terminar, a nossa pergunta é: qual é que considera que é o símbolo maior dos portugueses: é o Presidente da República, é o D. Sebastião, é a Bandeira Portuguesa, é o Cristiano Ronaldo, ou outro?

Eu diria dois: a bandeira e o hino porque a bandeira é sempre a mesma, o hino é sempre o mesmo, o presidente da república varia de eleição para eleição.


A candidatura de Vitorino Silva respondeu ao convite para dar entrevista ao Jornal Saloio durante o período da campanha eleitoral no âmbito das Eleições Presidenciais 2021. Esta entrevista foi realizada nos termos do artigo 6.º, da Lei n.º 72-A/2015, de 23 de julho, por video-chamada procurando transpor o discurso sonoro para discurso textual com a maior fidelidade possível.

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