20.9 C
Sintra
Domingo, Agosto 1, 2021
Início Mundo Saloio O Saloio descendente do Moçárabe

O Saloio descendente do Moçárabe

Por Dr. Vitor Manuel Adrião, Professor e Investigador

PUB

Sendo o saloio descendente do moçárabe, será da cultura arábica que herda muitos dos seus usos e costumes, inclusive a arquitectura, como se nota nas formas e proporções daquele que é o seu tecto habitual.

Sobre isto, diz Maria Micaela Soares (in A Mudança na Cultura Saloia. Artigo inserto em Loures, Tradição e Mudança, vol. I, pág. 170. Loures, 1986):

«Imprimia o Saloio à sua habitação a robustez física e de carácter que o individualizaram. Sendo evidente que a casa saloia se insere no tipo de casa tradicional do Sul do País, ela possui um quê distintivo que logo a singulariza na Estremadura.»

Tal singularidade tem base ou raiz sagrada que, para ser compreendida devidamente, ter-se-á de recorrer à intenção do sentido da arquitectura árabe, distendendo-se do Algarve à Estremadura, passando os Alentejos [vd. Casas Portuguesas (Alguns apontamentos sobre o arquitecturar das Casas Simples), por Raul Lino. Lisboa, 1933].

Apesar deste ou aquele excesso destoante, a casa saloia, tal como a árabe, assentou originalmente sobre a raiz quadrada de dois (√2), portanto sobre uma planta quadrada, tendo a primeira no seu centro a casa de fora, ou da entrada, por onde se acedia às restantes divisões.

A segunda fechava-se em torno de um claustro quadrado encerrando no seu centro um jardim ou uma fonte, ou ambas as coisas: tratava-se do universo fechado em quatro dimensões (centro, comprimento, largura, altura).

O jardim central, proibido a estranhos à casa, era uma evocação do “Jardim Proibido” do Éden, aberto exclusivamente à influência celeste (in Dicionário de Símbolos, por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. Paris, 1906).

- PUB -

EM DESTAQUE